A ausência de ACM Neto em mais um grande evento político realizado em Lauro de Freitas começa a chamar atenção — e levanta uma pergunta inevitável: qual é, afinal, o tamanho da importância que o candidato dá ao município?
A prefeita Débora Régis promoveu o lançamento da campanha de ACM Neto e a inauguração de um comitê, mobilizando aliados e uma estrutura que, segundo estimativas divulgadas pelos organizadores, teria reunido milhares de pessoas.
Mas o principal nome do evento não apareceu.
E não seria a primeira vez.
ACM Neto já teria deixado de comparecer a dois grandes eventos promovidos pela prefeita e seus aliados em Lauro de Freitas. A repetição das ausências começa a alimentar questionamentos dentro e fora do grupo político.
Mobilização, estrutura e servidores
Um dos pontos que mais chama atenção envolve a participação de servidores públicos.
Segundo relatos, funcionários teriam sido orientados a assinar uma lista de presença durante um dos eventos políticos. Se comprovada a exigência de comparecimento vinculada ao exercício da função pública, a situação pode levantar questionamentos sobre eventual assédio moral e uso indevido da estrutura administrativa para mobilização política.
É importante destacar: a existência da lista, por si só, não comprova irregularidade. O que precisa ser esclarecido é quem determinou a assinatura, qual era a finalidade da lista e se houve pressão ou obrigação para que servidores participassem do ato.
A conta política cresce
Enquanto a estrutura política se movimenta para fortalecer a candidatura de ACM Neto, outro assunto segue despertando atenção em Lauro de Freitas: o crescimento da folha de pessoal da Prefeitura e até da Câmara.
A ampliação das contratações gera questionamentos sobre os critérios utilizados e sobre a possibilidade de acomodação de indicações políticas.
A pergunta que fica é direta: o aumento da folha representa necessidade administrativa real ou também atende a interesses políticos de vereadores e grupos aliados?
Caso novas contratações estejam sendo utilizadas para contemplar apoiadores, caberia ao Executivo explicar publicamente os critérios, funções e justificativas para cada nomeação.
Muito esforço para quem não veio
O cenário produz uma contradição política difícil de ignorar.
De um lado, uma prefeita e seus aliados mobilizam estrutura, pessoas e recursos políticos para apresentar ACM Neto como o nome do grupo para a disputa estadual.
Do outro, o próprio candidato não comparece ao evento considerado importante pelos seus apoiadores.
E isso acontece justamente em Lauro de Freitas, um dos maiores colégios eleitorais da Região Metropolitana de Salvador.
A ausência pode ter explicações. Agenda, compromissos ou estratégia de campanha são possibilidades. Mas, politicamente, a repetição começa a transmitir uma mensagem que os próprios aliados terão de explicar.
Porque, enquanto alguns fazem esforço para entregar milhares de pessoas, ocupar espaço político e assumir riscos, fica a pergunta:
ACM Neto está realmente disposto a disputar Lauro de Freitas — ou acredita que o apoio da cidade já está garantido?
No jogo político, presença também é demonstração de consideração.
E, até aqui, quem parece estar fazendo questão de aparecer são os aliados.
O candidato, não.
