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CÂMARA CORTA VERBA, CONTRATA MAIS E A FOLHA CHEGA A R$ 2,4 MILHÕES

Documento de agosto mostra 155 assessores relacionados, salários que chegam a R$ 16,6 mil e mais de R$ 729 mil em gratificações. Se a promessa era ajustar as contas, quem explica a matemática?

A Câmara Municipal de Lauro de Freitas decidiu suspender a Verba Compensatória da Atividade Parlamentar sob o argumento de reorganizar as finanças do Legislativo.

O valor era de R$ 20 mil por vereador.

Com 21 parlamentares, a despesa potencial chegava a R$ 420 mil por mês.

A justificativa para a suspensão era clara: reorganizar, controlar e equilibrar as contas.

Mas os números apresentados na folha de agosto levantam uma nova pergunta:

o dinheiro deixou de sair pela verba compensatória e passou a sair pela folha de pessoal?

155 ASSESSORES E UMA FOLHA MILIONÁRIA

A relação de salários referente a agosto de 2026 apresenta 155 servidores/assessores, distribuídos principalmente entre os cargos AP-8 e AP-9.

O documento informa:

R$ 1.567.952,35 em salários

R$ 729.532,35 em gratificações

R$ 108.500,00 em auxílio-refeição

Somente esses três itens chegam a aproximadamente R$ 2,4 milhões.

E A PROMESSA DE ECONOMIA?

Aqui está o ponto que merece ser colocado sob a lupa.

A verba compensatória representava potencialmente R$ 420 mil por mês para os 21 vereadores.

Depois da suspensão, a Câmara ampliou sua estrutura de pessoal.

Em 30 de julho, foram registradas dezenas de novas nomeações, incluindo os 45 novos assessores apontados no levantamento.

O quadro de pessoal teria passado de aproximadamente 230 servidores em junho para 277 em julho.

E o impacto do aumento da folha informado anteriormente supera R$ 500 mil.

Ou seja:

a despesa que deixou de existir de um lado precisa ser comparada com a despesa que apareceu do outro.

Se a economia potencial era de R$ 420 mil e a expansão da folha supera R$ 500 mil, fica uma pergunta básica:

ONDE ESTÁ A ECONOMIA?

Não é acusação de irregularidade.

É matemática.

E matemática com dinheiro público precisa ser demonstrada.

UMA DIFERENÇA IMPORTANTE DE CONTROLE

A Verba Compensatória possuía uma característica que facilitava a formação de uma trilha documental de fiscalização: despesas precisavam ser comprovadas por documentos e submetidas aos mecanismos de controle previstos, inclusive perante o Tribunal de Contas.

Isso não significa que um sistema documental seja impossível de fraudar.

Significa que existe uma série de documentos que pode ser confrontada pelo órgão fiscalizador.

Com a folha de pessoal, o controle é diferente.

E surge uma pergunta que merece resposta:

como a Câmara comprova que cada assessor efetivamente trabalha e cumpre a jornada correspondente ao cargo?

Existe folha de frequência?

Existe ponto eletrônico?

Existem relatórios de atividades?

Existe controle diário?

Quem atesta o efetivo exercício?

Quem fiscaliza?

Porque a nomeação publicada no Diário Oficial comprova que alguém foi nomeado.

Não comprova, sozinha, que a pessoa esteve trabalhando todos os dias, cumpriu sua jornada e entregou o serviço correspondente ao salário recebido.

É exatamente por isso que o controle de frequência e o efetivo exercício precisam ser demonstrados.

E OS ATOS RETROATIVOS?

Outro ponto que merece atenção são as nomeações com efeitos retroativos.

Nesse caso, a pergunta é ainda mais direta:

se o ato foi publicado posteriormente, qual documento comprova que o servidor já estava efetivamente trabalhando no período retroativo?

Houve frequência?

Houve atividade?

Houve pagamento?

Qual foi a justificativa jurídica?

Essas respostas devem estar documentadas.

SALÁRIOS DE ATÉ R$ 16,6 MIL

A própria relação de agosto mostra remunerações expressivas.

Há servidores com salários de:

R$ 16.600

R$ 16.500

R$ 16.000

R$ 15.613

R$ 15.300

R$ 14.862

entre diversos outros valores superiores a R$ 10 mil.

Isso não significa, por si só, que haja ilegalidade.

Mas aumenta a importância da transparência sobre cargo, atribuições, lotação, jornada, gratificação e efetivo exercício.

Quanto maior a despesa pública, maior precisa ser a capacidade de fiscalização.

O Ministério Público pode avaliar os fatos sob sua competência, enquanto o TCM-BA pode examinar os aspectos relacionados à despesa pública, pessoal, orçamento e prestação de contas.

A PERGUNTA QUE FICA

A Câmara suspendeu uma verba que poderia representar R$ 420 mil mensais.

Depois, ampliou o quadro de pessoal.

A folha apresentada em agosto registra R$ 1,56 milhão em salários e R$ 729 mil em gratificações.

E a documentação ainda apresenta uma rubrica de R$ 3,18 milhões relacionada à assessoria, cuja composição precisa ser esclarecida.

Então a pergunta do contribuinte é simples:

A Câmara realmente reduziu despesas ou apenas mudou o caminho por onde o dinheiro sai?

Se houve economia, que ela seja demonstrada.

Se houve aumento, que seja explicado.

E se existem servidores recebendo salários e gratificações, que a Câmara demonstre também quem trabalha, onde trabalha, qual função exerce, qual jornada cumpre e qual mecanismo comprova esse trabalho.

Porque, no serviço público, nomeação não é sinônimo de trabalho comprovado.

E promessa de ajuste financeiro não substitui a conta.

A população quer os números. E quer transparência.

O OLHAR CIDADÃO LF está protocolando a denúncia no TCMBA e no MPBA para que a transparência NÃO entregue pela Câmara seja entregue a população.

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