Enquanto o discurso político coloca ACM Neto e o grupo do governador Jerônimo Rodrigues em lados opostos, um negócio milionário mostra que, no mundo empresarial, as fronteiras podem ser bem diferentes.
A empresa Pilar Incorporação e Construção Imobiliária foi a vencedora do leilão do antigo Centro de Convenções da Bahia, arrematando o imóvel por R$ 138,4 milhões. O fato, porém, vai muito além do valor da negociação.
Segundo informações divulgadas pela imprensa baiana, a empresa faz parte de um grupo empresarial que reúne como sócios o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira, além do empresário João Gualberto.
Não há, até o momento, qualquer indicação de irregularidade no negócio. O leilão foi público e seguiu o rito previsto pelo Governo do Estado. Ainda assim, a composição societária desperta um debate inevitável: quando adversários políticos dividem interesses empresariais milionários, o cidadão tem o direito de fazer perguntas.
Afinal, a disputa política é apenas nos palanques?
Como explicar que figuras ligadas a projetos políticos tão distintos compartilhem um empreendimento dessa magnitude?
Outro detalhe chama atenção: o leilão contou com apenas um participante. Sem concorrência, o imóvel foi vendido praticamente pelo valor mínimo previsto no edital.
A ausência de disputa comercial também merece reflexão. Houve ampla divulgação suficiente para atrair outros investidores? As condições do edital favoreceram a concorrência? O mercado realmente não tinha interesse em uma das áreas mais valorizadas da capital baiana?
Essas perguntas não representam acusações. Representam o exercício do controle social, princípio fundamental em qualquer democracia.
O cidadão tem o direito de saber quem compra patrimônio público, quem são os beneficiários finais dos negócios milionários e como essas operações são conduzidas.
Quando personagens de grande influência política e econômica aparecem no mesmo empreendimento, a transparência deixa de ser uma opção e passa a ser uma obrigação perante a sociedade.
O Olhar Cidadão acompanhará os próximos passos desse negócio e continuará fazendo aquilo que considera seu dever: questionar, fiscalizar e cobrar esclarecimentos, independentemente de quem esteja no poder ou de quem esteja assinando os contratos.
