A euforia tomou conta do grupo político de ACM Neto após a divulgação da pesquisa do Paraná Pesquisas. Em poucas horas, cards, vídeos, publicações e mensagens se espalharam pelas redes sociais e grupos de WhatsApp, numa tentativa de consolidar a narrativa de que a eleição para o Governo da Bahia já teria um favorito.
Mas a história recente recomenda prudência.
Em 2022, o roteiro foi praticamente o mesmo. Durante meses, ACM Neto liderou as pesquisas de intenção de voto. Os números eram apresentados como prova de uma vitória inevitável. A campanha vendia a ideia de que a eleição estava decidida antes mesmo da abertura das urnas.
O eleitor, porém, escreveu outro capítulo.
Na reta final da campanha, Jerônimo Rodrigues cresceu, virou o jogo e venceu a eleição. O resultado desmontou a narrativa construída ao longo de meses por quem tratava pesquisas como se fossem boletins oficiais da Justiça Eleitoral.
Agora, em 2026, o filme parece ganhar uma nova edição.
A divulgação em massa de uma única pesquisa favorável levanta um questionamento inevitável: o objetivo é informar ou criar um clima de vitória antecipada?
Mais curioso ainda é que o mesmo grupo que hoje comemora um levantamento evita lembrar que, em 2022, pesquisas semelhantes não impediram a derrota nas urnas.
Outro detalhe chama atenção: enquanto um instituto aponta vantagem para ACM Neto, outros levantamentos mostram uma disputa muito mais equilibrada. Ou seja, selecionar apenas a pesquisa mais conveniente pode fortalecer uma narrativa política, mas não elimina a existência de cenários diferentes apresentados por outros institutos.
A política não se decide em cards de Instagram, vídeos patrocinados ou correntes de WhatsApp. Pesquisa mede um momento. A urna registra a vontade do eleitor.
E a Bahia já mostrou que entre a manchete da pesquisa e o resultado oficial pode existir uma distância enorme.
Quem esquece 2022 corre o risco de transformar a euforia de hoje na frustração de amanhã.
E nessa campanha há uma pessoa que não aceita frustrações …
