QUANDO O BÁSICO NÃO CHEGA, A VIOLÊNCIA ENCONTRA ESPAÇO
Enquanto a Prefeitura discute segurança e a prefeita se dedica à articulação política, uma mãe e duas crianças enfrentam fome, abandono social e o risco de desabamento em um barraco
Uma denúncia feita por uma mãe expõe uma realidade que vai muito além da falta de segurança pública em Lauro de Freitas: a ausência ou a demora das políticas sociais básicas também pode empurrar famílias para situações extremas de vulnerabilidade.
Segundo o relato, uma família vive em um barraco em condições precárias, sem receber Bolsa Família, auxílio-aluguel ou sequer uma visita do CRAS para avaliar a situação e encaminhar os benefícios necessários. A família também teria permanecido sem receber uma cesta básica por parte da estrutura municipal de assistência social.
O caso chama ainda mais atenção porque a família já é acompanhada pelo CTA, mas, segundo a denúncia, esse acompanhamento não teria sido suficiente para mobilizar os demais serviços públicos municipais.
Uma liderança local que esteve no imóvel relata ter ficado profundamente emocionada ao presenciar a situação.
A mãe teria enviado dois dos quatro filhos para a casa da avó, diante da falta de alimentos e da ausência de condições mínimas de moradia. Dentro do barraco, segundo o relato, entram animais peçonhentos — inclusive uma jararaca teria aparecido no local.
Uma das crianças, conforme a denúncia, chegou a dormir no chão.
É difícil olhar para essa realidade e não perguntar: onde está a rede de proteção social do município?
A liderança levou a mãe até o CRAS na tentativa de acelerar o atendimento. Porém, segundo o relato, até o momento a família ainda não teria recebido a visita necessária para avaliar as condições da moradia e organizar medidas emergenciais.
Enquanto isso, uma mãe e duas crianças permanecem expostas à fome, à precariedade e ao risco de o barraco desabar.
E A RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO?
A prefeita Débora Regis tem feito críticas frequentes à situação da segurança pública na Bahia e defendido mudanças no comando político do Estado.
Mas a pergunta que fica para Lauro de Freitas é outra:
Se a falta de políticas públicas também contribui para produzir vulnerabilidade, quem fiscaliza e cobra a Prefeitura quando o básico não chega a quem mais precisa?
Não se trata de negar a responsabilidade do Estado pela segurança pública. Trata-se de reconhecer que combater a violência também passa por garantir comida, moradia, assistência social, proteção à infância e presença efetiva do poder público nos territórios vulneráveis.
Quando uma criança cresce sem alimentação adequada, em uma casa ameaçada por animais peçonhentos e sem condições dignas de moradia, o problema não é apenas habitacional.
É social.
É humano.
E também é uma questão de prevenção à violência.
Adolescentes que crescem cercados pela fome, abandono, falta de oportunidades e ausência do Estado ficam mais vulneráveis ao aliciamento pelo crime.
Por isso, antes de falar apenas em trocar governadores, prefeitos ou secretários, talvez seja necessário fazer uma pergunta mais simples:
Quem está cuidando de quem não tem sequer um lugar seguro para dormir?
Enquanto a Prefeitura se movimenta politicamente e a disputa eleitoral ganha as ruas, essa família continua esperando aquilo que deveria ser o mínimo: a presença do poder público.
OLHAR CIDADÃO acompanha o caso e cobra respostas.
